Mochilão na Bolívia


Essa viagem que fiz em agosto de 2015 à Bolívia foi incrível e, geograficamente falando, foi uma das melhores que já fiz em toda a minha vida!

Tudo começou com a ideia de conhecer as paisagens surreais do deserto da Bolívia, então, comecei a pesquisar sobre o país e enquanto pesquisava sobre os roteiros, hospedagens, alimentação e o quanto gastaria para passar 15 dias, percebi que não é nada fácil encontrar essas informações dando apenas um google. Então para melhor planejamento da viagem, comprei um ótimo guia que super me ajudou e pode ajudar vocês, além do post, que vou escrever agora, sobre como se virar na Bolívia indo como mochileiro. Pessoal, o país é lindo demais (mesmo!) então se preparem para verem muitas fotos que vou postar aqui, rs, pois é impossível falar sobre a minha viagem e não mostrar as fotos que fiz aos montes, rs.


A começar, tomem cuidado para irem até a Bolívia apenas com cartão, pois em todo o país, eles só aceitam dinheiro em espécie. Nesse caso é melhor levarem todo o dinheiro em espécie mesmo e trocar para a moeda local nas diversas casas de cambio que existem no centro de La Paz (são muitas). Eles trocam tanto dólar quanto real.


A hospedagem em La Paz: ficamos, minha amiga e eu, num hostel muito bonito, limpo e cheio de cultura sobre o antigo casarão, que nada mais foi propriedade do Major General José Manuel Pando, Presidente da República da Bolívia de 1899 a 1904, o Hostal República. Os funcionários do hostel são bem educados e prestativos, um pouco atrapalhados às vezes, mas a recepção é bem boa.

Um hostel para quem procura sossego e um bom café da manhã. Eles também oferecem serviço de reserva de taxi aero-hostel para quem chega de madrugada, como nós chegamos, ou até mesmo para quem quer ir de taxi até La Paz. Eles também guardam a sua bagagem numa sala trancada a chave, no caso de chegarem ou saírem antes ou depois do check-in e check-out, super seguro. Gostei bastante! Vejam as fotos:


Passamos três dias em La Paz para nos ambientar com a altitude (façam isso também para não passarem mal por conta da altitude nos passeios no deserto), comprar os pacotes para o passeio de três dias no deserto do Uyuni (existem muitas agencias de viagem na Calle Comercio, compramos o nosso pacote na República Tours, que fica no número 1455) e para conhecer um pouco a cidade.


Compramos as passagens de ônibus na rodoviária de La Paz para Uyuni, no Terminal de Buses Caseta. Fomos com a empresa Panamericana que oferece calefação, mas não existe esse serviço no ônibus, pois o transporte rodoviário da Bolívia é muito antigo e não funciona o aquecimento. Portanto, se vocês forem viajar durante a noite, como fizemos, levem bastante agasalhos e, se possível uma manta, pois nessa época do ano em que fomos, a temperatura cai absurdamente de madrugada. Na época pagamos 100 Bs em cada passagem de ida e os ônibus saem em dois horários: às 07h00, para às chegar 20h00, e às 19h00, para chegar às 06h00 em Uyuni.

Outro inconveniente neste terminal é que quando você compra as passagens antecipadamente, eles não tem controle eficiente dessas vendas e acabam vendendo passagens duplicadas. Tivemos um problemão em relação a isso, pois compramos as nossas passagens um dia antes da viagem e eles venderam o mesmo assento para um casal francês e só descobrimos isso quando o ônibus chegou em El Alto e começou a lotar. Com sorte conseguimos resolver todas essas questões e seguimos viagem.


Chegamos à Uyuni bem antes da previsão dada no Terminal de Buses de La Paz, chegamos às 04h00, rs, sendo assim, fomos procurar a agencia que contratamos e um senhor, que estava numa avenida a frente, nos convidou a ficar no café dele enquanto a agencia não abria. Chegando ao café, passamos muito bem com a calefação (estava muito frio) e com o café da manhã que tomamos lá. O café fica de frente com agencia Andes Salt Expeditions Tour Operator, agencia que nos levou ao deserto, conhecemos alguns mochileiros brasileiros que também iam para a expedição e mais algumas pessoas de outros países.


Então amanheceu e fomos até a agencia para nos organizar e partir.

Em qualquer agencia que você vá procurar, é obrigatoriamente deixar a maior mochila na agencia para partir para o deserto. Eles autorizam apenas uma mochila pequena por pessoa com os itens mais importantes para cada um e 3 litros de água por pessoa. O pacote que contratamos incluía café da manhã, almoço, jantar, acomodações durante as duas noites (uma delas no Hotel de Sal e a outra num alojamento) e um banho na primeira noite, pois na segunda noite não existe água no alojamento. Na última noite, o jantar inclui também um vinho bem gostosinho para cada grupo. Os grupos são de até seis pessoas por carro 4x4 mais um guia de turismo. Contratamos o pacote de três dias e duas noites por 800 Bs e as entradas, que são cobradas a parte, para Ilha do Pescado por 30 Bs e da Laguna Colorada por 150 Bs.


Tudo acertado na agencia e ainda tínhamos mais 2 horas para comprar a água e dar uma volta na cidade antes da expedição partir para o deserto. Uyuni é uma cidadezinha bem charmosa.



Depois de comprar a água e dar uma volta, finalmente partimos para o passeio no Deserto do Uyuni e a minha sensação de alegria explodiu! O roteiro foi o seguinte: Cemitério de Trens, Colchani, Salar de Uyuni, Hotel de Sal, Ilha do Pescado, Árbol de Piedra, Laguna Colorada, Geiser Sol de Mañana e Laguna Verde. Passamos por outras pequenas lagunas e outros lugares bem legais que eles não informam no roteiro, mas são lindas também e resumindo: vale muuuito a pena essa viagem!!! Nas fotos registrei exatamente todos os lugares por onde passamos.


Dica valiosa: levem protetor solar e passem sempre e bastante! O sol do deserto é destruidor de peles, rs. Óculos de sol também são essenciais, especialmente no Salar.


El Cementerio de Trenes en Uyuni

Colchani em Uyuni, como muitos dizem, é a porta de entrada para o Salar do Uyuni e existe uma pequena feira de artesanato local, onde muitos moradores do vilarejo vivem da venda desses artesanatos. Se você quiser levar alguma lembrança para você ou para alguém, compre em Colchani, pois em La Paz não encontrei algumas peças legais como tinham aí.


Fomos, então, para o Salar de Uyuni.


Hora do almoço! Para quem não come carne, as agencias disponibilizam alimentação vegetariana e são saborosas e bem servidas...


Na Isla do Pescado. É muita emoção tocar e ver Cactos com 10 metros de altura e com mais de 600 anos de idade, gente!



Seguimos viagem até o Hotel de Sal, onde passamos a primeira noite no deserto.


A noite no deserto cai muito rápido e é possível acompanhar a sombra pela janela do 4x4, ver o sol "correndo" e a noite chegando. No mínimo mágico!

Chegamos no Hotel de Sal e aqui a dica é: leve saco de dormir feitos para temperaturas abaixo de zero, pois a temperatura a noite no deserto, no inverno, é super congelante! Estávamos em seis pessoas no nosso grupo e na primeira noite, nos separamos de três em três nos quartos. Jantamos, tomamos banho (seja um dos primeiros a tomar banho, pois você corre o risco de ficar sem água se for um dos últimos), saímos pra ver a via láctea, que é indescritivelmente maravilhosa e depois fomos dormir, pois no outro dia saímos às 06h00 para continuar a jornada.


Passamos pelo Salar Tijuana e pela antiga estação de trem que, segundo o nosso guia, hoje vive um pequeno povoado.

E chegamos na fronteira para a entrada na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa. Já estávamos na metade da viagem até a laguna verde, última laguna e quase na fronteira do deserto da Bolívia com o deserto do Atacama, no Chile.


Depois de entrar em Avarua, a parada foi no Vulcão Ollagüe. Vimos também Vicuñas, que são muito confundidas com as Lhamas.

E então começa o grande momento esperado por mim: as passagens pelas lindas e surreais lagunas do deserto. A primeira que passamos foi a Laguna Cañapa, que, na minha opinião, foi uma das mais lindas que vi no deserto. É interessante ouvir as pessoas que estão visitando a laguna dizer como é lindo o gelo que nela existe, mas na verdade, toda essa parte branca que existe na laguna não é gelo e sim sal, por isso muitos Flamingos ficam na laguna, justamente para se alimentarem do sal nela existente. Vimos também alguns roedores selvagens do deserto, os Viscacha, enquanto almoçávamos.


E fomos para a Laguna Hedionda...


Nessa parada, tivemos banheiros disponíveis e gratuitos, já que todos os outros, por onde passamos, tivemos que pagar um valor simbólico para utilização.

Laguna Honda...

Árbol de Piedra...

Laguna Colorada...

Mais um dia terminando e seguimos para o alojamento onde passamos a segunda noite. Nesse alojamento não tem água para tomar banho e a energia dos geradores dura apenas 3 horas. Então chegamos, nos acomodamos e fomos jantar, para depois dormir, já que acordamos às 03h30 no outro dia para seguir viagem e tudo é extremamente pontual. O porquê de sair tão de madrugada, é para chegar pouco antes de amanhecer no Géiser Sol de Mañana, que é algo inexplicável e precisa ser vivenciado sem dúvida alguma. O forte vento, o cheiro de enxofre, a temperatura -20ºC, 4850 de altitude e o amanhecer nesse lugar jamais sairão das minhas lembranças, pois foi emocionante demais para mim, sem exageros, rs.


Seguimos então para a última laguna do roteiro, a Laguna Verde, de onde se pode ver o Vulcão Licancabur.

O vento estava muito forte e infelizmente não conseguimos descer até a laguna. Depois de finalizar o roteiro, os guias nos levam para um banho nas águas calientes, ali perto da laguna mesmo, e essa é a última parada do roteiro, definitivamente. Depois, para quem volta para a cidade de Uyuni (pois existem viajantes que continuam para o Deserto do Atacama) são 500km de estrada de deserto, com paradas apenas para almoço e café. Bem cansativo, mas vale qualquer esforço por um roteiro desses.


Águas Calientes...



Na volta pegamos algumas tempestades de areia, mas tudo correu muito bem. Faltando poucos quilômetros para chegarmos em Uyuni, fizemos uma breve parada na cidade de San Cristóbal...

Chegamos em torno das 17h00 em Uyuni e acabamos o nosso roteiro todos felizes e satisfeitos com sensação de vontade realizada, rs! Minha amiga e eu voltamos na mesma noite para La Paz, mas nos arrependemos um pouco, pois a viagem de três dias no deserto em si já é cansativa e enfrentar mais 11 horas de viagem é realmente cansativo demais. Existem alguns hostels em Uyuni, então, aconselho você a não fazer uma viagem longa depois de voltar do deserto.


Quando chegamos em La Paz, ficamos num hostel que fica a uma quadra do Terminal de Buses, que citei acima, o Hostal Sapak Pacha. A dona do hostel é muito simpática e prestativa, o hostel tem chuveiro quentinho e quartos bem limpos. O café da manhã não é tão legal, pois não tem muita variedade, mas vale a pena a estadia. Eles também oferecem wi-fi nos quartos e lavanderia, o que ajuda muito quando se está mochilando! Só é um pouco ruim em relação às escadas, por ser um prédio alto e sem elevadores. Por conta da altitude da cidade e do cansaço da viagem no deserto, achamos isso um inconveniente, mas a vista é bonita e conseguimos ver La Paz de cima. Depois de chegar no hostel e tomar um super banho, dormimos o dia inteiro praticamente, rs, para no dia seguinte ir para Copacabana.


Partimos para Copacabana do Terminal de Buses e fomos com o meu amigo boliviano, quem nos ajudou bastante na viagem. Pagamos 60 Bs em cada passagem de ônibus, mais a passagem de barco, que custa em torno de 3 Bs para fazer a travessia e continuar viagem de ônibus para Copacabana. A viagem de La Paz a Copacabana dura de 3 a 4 horas. Assim que você faz essa pequena travessia no Lago Titicaca e chega do outro lado do lago, existem policiais fazendo vistoria de passaportes, então já prepare o seu.

Lembrando que para ir para a Bolívia, não é obrigatório passaporte, mas por ser um país desorganizado, é bom que você leve o seu ou emita um, caso não o tenha ainda. Isso te dá mais segurança de não implicarem com você e assim poderá fazer todas as viagens tranquilamente.


E então chegamos a Copacabana.


É um vilarejo bem bonitinho e com muitos hostels, então não há necessidade de fazer reservas antecipadamente. Infelizmente ficamos num hostel horrível que dizia ter banho quente, mas não tinha e o cara da recepção se fez de desentendido para não nos trocar de quarto, pois somos brasileiras. Insistimos e depois do meu amigo boliviano conversar com ele, enfim conseguimos um quarto com ducha quente. O hostel é o La Academia.


Passamos a noite em Copacabana e no outro dia cedo fomos de barco para a Isla del Sol, onde também é possível conseguir hostel sem fazer reservas. A viagem dura de 2 a 3 horas, pelo Lago Titicaca, e as passagens variam de 20 a 40 Bs, depende muito da sua negociação com os barqueiros e os tickets são vendidos pelos próprios.



A viagem é muito bonita e a Isla del Sol é encantadora! Passamos o resto da tarde e a noite para no outro dia fazer a trilha do lado norte, onde ficamos hospedados (a ilha tem o lado norte e sul). Para fazer a trilha no lado norte, você precisa comprar um ticket que custa 10 Bs. Depois de pagar a taxa de entrada, são visitados o Museu de Ouro da Cidade Submersa, a Pedra Sagrada, o Templo del Inca, a Mesa de Sacrifício e o templo Chincana. A duração de caminhada é de, mais ou menos, 40 minutos, mas tudo depende do ritmo que você quer ir.

Optamos por não ir com guia, pois os passeios com guia são muito mais rápidos e o que queríamos era desfrutar e observar a ilha com calma e no nosso tempo. Não há problema algum em ir por conta, sem o guia, pois a trilha é auto-guiada e super segura. Aliás, a ilha toda é muito segura, até durante a noite! Me senti muito bem ali!


Fizemos várias fotos noturnas e nos divertimos muito. Meu amigo também é fotógrafo e fizemos algumas fotos em parceria, como a do menino boliviano e nós três na escada e na casa. Minha amiga também nos ajudou bastante no processo de cada foto.



A maravilhosa trilha na Isla del Sol...


Linda, não é mesmo?

Ficamos mais um dia na Isla e no outro fomos embora para La Paz.


Estávamos nos últimos dias da viagem e então passeamos mais em La Paz e fomos conhecer uma das linhas teleféricas de lá, no Mi Teleferico, e fomos apenas em uma linha, a Linha Amarilla. O Mi Teleferico foi uma iniciativa do governo de Evo Morales e foram inaugurados em 2014. A fim de melhorar a mobilidade entre as cidade de La Paz e El Alto, o teleférico é o meio de transporte ideal para cruzar a grande distância vertical em pouco tempo e podem ser considerados como estações de metrô. Gostei bastante, o passeio é bem tranquilo, silencioso e tem uma vista incrível.

Considerações finais.

Minha dica fundamental é que se você pretende ir à Bolívia, não vá esperando uma boa recepção dos bolivianos, pois a maioria deles não estão preparados para o turismo local. É um país muito pobre e desorganizado e, então, luxo dificilmente você vai encontrar. A tecnologia não é como você espera, então não esqueça de levar dinheiro em espécie e vá ciente de que você poderá ficar sem internet alguns dias, especialmente na Isla del Sol e no deserto.


O que eu amei no país? Os lugares onde visitei. A Bolívia é um país muitíssimo lindo, geograficamente falando, e, para mim, valeu a pena cada segundo que estive lá, mesmo com alguns problemas por conta da desorganização do país. Gostei muito do tempero da culinária boliviana, embora eles usem bastante óleo no preparo, são bem saborosas. Não deixe de experimentar as salteñas bolivianas, o suco natural da fruta Tumbo, a Api, uma bebida quente feita com um tipo de milho roxo e branco, e o pastel com mel de cañamo.

Os hostels onde ficamos são bem limpos, aconchegantes e baratos. Para mim, foi uma experiência única e fantástica e se você estiver mesmo afim de conhecer, embarque nessa viagem e seja feliz, como eu fui. E fui muito mesmo, haha.


Vou deixar aqui embaixo dois vídeos para vocês verem um pouco mais como é incrível este país. Deixe o seu comentário no final da página! =) Vou ficar muito feliz em saber se te ajudei, de alguma forma, a planejar a sua viagem ;)


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