Estrada Real | Catas Altas - Santa Bárbara


Percorrendo caminhos pela Estrada Real, percebo que há incontáveis histórias e sensações, tanto dos que construíram essas histórias, quanto das minhas histórias pessoais. Falar sobre Minas Gerais, para mim, é mais que um simples relato, é sentimento forte e cheio de amor. Quando quero escapar por alguns dias da cidade cosmopolita onde vivo e tenho pouco tempo, o primeiro pensamento que me vem à mente é correr logo ali, rs. Onde as montanhas nos deixam encantados, o céu tem um dos tons de azuis mais lindos que já vi e as pessoas te acolhem como se fossemos da família.


Hoje, venho contar um pouco e mostrar algumas imagens sobre as lindas cidades de Catas Altas e Santa Bárbara, onde visitei no final de junho e começo de inverno (inverno ainda com luz de outono, luz que amo e estação que tem um tanto de significado positivo para mim).


Começamos a viagem a partir de Belo Horizonte, que fica em torno de 170 km de Catas Altas. Santa Bárbara é uma pequena cidade vizinha a Catas Altas com distância em torno de 15 km que também faz parte da Estrada Real, então, por esse motivo, optamos em nos hospedar em Santa Bárbara mesmo, já que o Hotel Villa Áurea oferecia melhores valores e está praticamente no trevo que leva a Catas Altas. Fizemos a reserva pelo Booking, fazendo com que o desconto neste hotel chegasse a, praticamente, o valor de um quarto compartilhado num hostel, além de incluir café da manhã na diária.


Chegamos em Catas Altas de manhã e fomos direto para o Santuário do Caraça, lugar onde não esperava muito, mas, sem dúvida, foi um dos passeios que mais gostei! Que lugar lindo e cheio de boa energia! A começar pela estrada que se pega até o santuário, lindíssima e, realmente, a partir desta estrada você já começa se encantar com as belezas de Minas.


Para entrar no Santuário, se paga uma taxa de R$ 12 em dias de semana e R$ 18 nos finais de semana. Ciclistas, idosos e moradores da região tem 50% de desconto. Gente, ciclistas! Que lindo, né?! Aqui tem mais informações sobre horários, valores e tudo mais.



Por onde você andar em Minas Gerais, pelos caminhos da Estrada Real, você verá lindos e ricos detalhes. Detalhes construídos por mãos escravas que, mesmo machucadas e sofridas, ainda conseguiram colocar todo o zelo e beleza em tudo que construíram. Mas hoje posto detalhes do Santuário Neogótico de Nossa Senhora Mãe dos Homens, onde “mesmo tendo sido feita em estilo arquitetônico francês, a Igreja do Caraça foi construída sem mão de obra escrava e toda com material regional: pedra sabão (retirada de perto da Cascatona), mármore (das proximidades de Mariana e Itabirito) e quartzito (da região do Caraça e vizinhanças), unidas com um produto a base de cal, pó de pedra e óleo. Em 1876, iniciaram a demolição da pequena Ermida e a construção do atual Santuário, que levou sete anos, sendo consagrado no dia 27 de maio de 1883. Construiu-se, assim, a primeira igreja neogótica do Brasil: toda ela desenhada, projetada e edificada por um Padre da Missão, na Serra do Caraça”. Quer conhecer mais sobre a história do Santuário? Aqui você pode consultar mais sobre este lindo lugar.


Além dos detalhes do Santuário, o entorno é bem bonito também. Remete, de fato, à ideia de paz! Deve ser uma delícia passar uns dias hospedado nesse lugar. Existem alguns pontos legais, como a Pousada Fazenda do Engenho com a Ala da Carapuça, o Calvário, as Ruínas do Colégio, que hoje funciona o Museu e que foram pontos onde fotografei. Há pessoas que ficam até o final do dia no Santuário para poderem ver os Lobos Guará da região. Como tínhamos apenas dois dias para conhecer o restante da cidade, fomos embora antes do horário do almoço.

Seguimos, então, para Santa Bárbara.


Chegamos a Santa Bárbara. Que gracinha de cidade! Quando se lê alguns autores mineiros, se você já conhece algumas cidades do estado, você passa a entender e acaba assimilando toda a sensação da leitura a cada cantinho que você conhece. Amo passar por esses caminhos relembrando os contos de Guimarães Rosa e, recentemente, de Carolina Maria de Jesus. É como se todos os caminhos conversassem com esses autores que assim descrevem tão bem essas passagens. Lindo!



Depois do almoço, passamos pela Capela Rosário dos Negros, que fica numa espécie de mirante da cidade. Classifiquei como mirante, pois tem uma vista muito bonita desse alto onde se vê as montanhas. Infelizmente a capela estava fechada, mas o fato intrigante foi que, essa capela está localizada num ponto alto da cidade, já que, foi construída para celebração de missas para negros, mulatos e mestiços. No link que deixei, explica um pouco sobre história da capela e como durante anos o padre usava um túnel, construído pelos escravos, para chegar até a igreja sem ser notado pela população. Mais abaixo existe a igreja Matriz de Santo Antônio, o que me deixou mais curiosa em relação às localizações. 


Descemos para a igreja Matriz de Santo Antônio, onde, logo de cara, existe o ponto da Estrada Real.


Quem me conhece sabe que não sou cristã, mas vejo grande importância em conhecer e visitar lugares que foram construídos pelos nossos antepassados negros. É muito importante mostrar que eles tiveram grande, quiçá, toda contribuição na construção do nosso país e que sem eles não teríamos evoluído socialmente. Salve esse povo!


Enquanto visitávamos a igreja, havia um grupo de  turistas, com a guia de turismo, que estavam visitando a mesma igreja que nós. Eu que sou curiosa e xereta, rs, peguei um trecho em que ela explicava para essas pessoas a origem e significado da expressão "pé rapado", que sinceramente eu não fazia a mínima ideia. A partir desses pequenos conhecimentos, percebi o quanto nunca sabemos o suficiente e aprender mais é sempre um prazer (pelo menos para algumas pessoas, rs). Em época de escravidão, obviamente, os escravos eram pessoas muito pobres e não tinham condições de irem à missa a cavalo, de charrete ou liteira, sendo assim, iam todos a pé, andavam quilômetros e quando chegavam até as igrejas, estavam com os pés descalços e todos sujos de terra. Então criaram um objeto de ferro, onde os escravos raspavam seus pés para tirarem o excesso de barro. E a partir daí surgiu a expressão "pé rapado". Fotografei esse objeto que sempre vi nas igrejas históricas de Minas, mas que não fazia ideia para que servia e que agora faz muito sentido, tanto em relação ao objeto, quanto à expressão.

Depois de aprender um pouco mais sobre a nossa história, pouco contada, continuamos o passeio pela pequena cidade e eu pensativa com os fatos que tinha acabado de descobrir.

Seguimos, novamente, para Catas Altas e terminamos o dia, num lindo pôr do Sol, no centro histórico, bem na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Que paz esse lugar! Em torno da igreja, existem alguns bares e restaurantes, a frente uma praça com um lindo jardim e a indescritível vista da Serra do Caraça. A cidade é sempre bem vazia e por isso transmite toda essa sensação da paz e tranquilidade de Minas. 


Entramos no segundo dia da viagem e fomos visitar, nas primeiras horas do dia, o Aqueduto Bicame de Pedra, há 7,5 km de Catas Altas. Nos sites da prefeitura de Catas Altas e da Estrada Real, diz que a distância é de 12 km, mas em frente ao aqueduto há uma plaqueta onde onde indica 7,5 km. Fiquei sem entender também, rs, mas enfim...

Em 1792 escravos construíram o aqueduto, com pedras empilhadas, no povoado de Quebra Ossos, que servia para captação de água do alto da Serra do Caraça até Brumado. A água era destinada à lavagem de minérios e cascalhos, como a exploração do ouro nos séculos XVIII e XIX. Na época, gastaram-se 15 kg de ouro para construir o aqueduto! Hoje, o que resta do aqueduto, segundo ao site da prefeitura, são 200 metros do monumento, já no site da ER, diz ser apenas 100 metros, onde há uma escada incrustada na lateral do portal que dá acesso à parte superior. Com cerca de 6 metros de altura, na parte mais alta, se pode ver de forma panorâmica a Serra do Caraça. Essa serra me hipnotizou, mesmo! E não importa de onde era o meu ângulo de visão.

Passamos alguns minutos no Bicame e a única vontade que tive foi de permanecer em silêncio contemplando o lugar e sentindo toda a sua energia. Que apesar de remeter a uma energia pesada, por conta da exploração de mão de obra escrava que se teve, em nenhum momento tive essa sensação pesada. Muito pelo contrário. Depois de um tempinho por ali, chegaram um grupo de turistas, numa quantidade considerável, e fomos para o próximo ponto de visita.



Igrejas e capelas históricas de Catas Altas. A primeirona e, não poderia ser diferente, foi a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Está numa parte mais baixa da cidade, na Rua do Rosário, e notei um certo descaso em relação à conservação, embora a igreja matriz também não esteja muito bem conservada. Na porta principal da igreja está datado 1862, data em que foi construída, levando em conta que a cidade começou a ser povoada no final do século XVII, em 1684, e a cidade fundada em 1703, ou seja, esse povo demorou quase 200 anos para ter seu local de reza. A igreja foi construída no estilo Barroco e sem muitos detalhes, porém, gostei muito! Principalmente na lateral onde se pode ver as montanhas a frente. Senti muito em estar fechada para visitação :(



Subimos a rua e passamos pela Capela do Senhor do Bonfim. Bem pequena e charmosinha! Mais abaixo coloquei a foto da placa da capela onde conta a sua história.


E a nossa última parada turistando foi na Capela de Santa Quitéria, construída em 1728, lá no alto da colina de Catas Altas. Gente, que vista!!! 

As minhas considerações finais são: cidade acolhedora, linda, tranquila e super vazia. Vale muito a pena! Fomos no meio de um Seminário de Turismo, evento que estava acontecendo na cidade, e ainda assim não estava lotada. Para quem quer sossego, esse é o lugar certo! Além do turismo urbano, existem várias atividades de turismo ecológico. Conheci, rapidamente, a agência de turismo Pelas Trilhas do Guará e uma moça muito simpática, que não lembro o nome, nos explicou que há muito tempo a cidade só era vista como meio de extração de minérios e não como cidade turística. Pensando em ampliar essa informação, eles criaram essa agência e começaram a investir nessa parte de passeios pela região. Aqui tem o Instagram e o Facebook deles também.  Espero, um dia, poder voltar com mais tempo e aproveitar tudo de bom que a cidade tem a oferecer. Amei cada detalhe desse lugar! 



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